"O teatro é a poesia que sai do livro e se faz humana." Federico García Lorca

quarta-feira, 7 de março de 2012

Fragmentos - O Cárcere do Tempo


O Presente

Pensamentos que voaram longamente até chegar aqui



Pensei durante horas.
Até me decidir com o que te presentearia.

Nas ruas, os vendedores com seus sorrisos amarelos se aproximavam.

Como se soubesse que eu estava a procura de algo.

Mas suas lojas eram frias, eram cinzas.
Tão quanto o inverno.
Com suas chuvas finas e lentas.

Voltei e no meu quarto procurei por algo precioso.

Dentro de uma caixa achei uma carta que nunca chegara até você.

Li e reli tudo que ali estava escrito.

E uma onda de paixão tomou conta do meu corpo.

Me fazendo lembrar a felicidade em que eu me encontrava quando estava com você. Pensei então que o presente poderia ser uma carta.
Sentei na cama e comecei a escrever.

Passei por belos lugares expressando todo o meu sentimento.
Meu peito parecia explodir com a força que as palavras teimavam em sair.

Então, naquele momento eu achei o presente ideal.

Meu coração.
O arranquei do meu peito.

Quente e vivo.

Suas batidas continuavam no mesmo ritmo.
Queria te encontrar o quanto antes.

Ao ver você meu coração pulsou forte entre meus dedos.

Ergui minha mão a sua frente.

Entreguei-lhe tudo de mais valioso que havia em mim.

Meu corpo congelou.

E eu já saberia que seria assim até você devolver o presente.

Mas eu não queria devolução.
Você me mostrou compaixão.

Suas mãos atravessaram a sua blusa.
Seu sangue manchou seus dedos.
Com seu peito aberto, suas mãos já me mostrava o quão belo seu coração era.

Você abriu meu peito e o colocou na sua nova morada.

Assim meu corpo se aqueceu e eu já poderia ir feliz.

Sabendo que agora os nossos corações batiam numa mesma freqüência.

01/04/2010 por Bruny Murucci

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